domingo, 23 de outubro de 2011

"O 'BONITO' NÃO SE LIMITA A UM ATRATIVO ESTÉTICO, INTERIOR. É VOCÊ PERCEBER ALGO A MAIS. É DESCOBRIR QUE ALGUMA COISA DAQUELA BELEZA SUPERA AS SUAS FORMAS. É ALGO MAIOR QUE CHAMA, QUE FALA DE MIM, COMO SE AQUELA BELEZA FOSSE ALGO QUE ME FALTASSE. O AMOR É ESSA CAPACIDADE DE VER O OUTRO DE FORMA DIFERENTE. NO MEIO DE TANTA GENTE, ALGUÉM SE TORNA ESPECIAL PARA VOCÊ E VOCÊ SE APROXIMA. O AMOR É ESSA CAPACIDADE DE RETIRAR ALGUÉM DA MULTIDÃO, TIRÁ-LO DO LUGAR COMUM PARA UM LUGAR DEDICADO, ESPECIAL. ALGUÉM DESCOBRIU UMA SACRALIDADE EM VOCÊ."

(Padre Fábio de Melo)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Respostas"

É dificil falar sobre o desconhecido.
Escrever sobre aquilo que ainda está se descobrindo pouco a pouco...
E sendo desvendado minuto a minuto. Segredo a segredo.
Mas pode-se por um momento falar daquilo, que é visível.
A paz transmitida atraves dos olhos teus... e o brilho iluminado de um sorriso.
E Estes, foram presentes dados por Deus à um filho especial.
Para que assim, esse filho pudesse mostrar a bondade existente dentro do coração.
O meu maior desafio, no entanto, é conseguir transmitir o que ELE está querendo dizer a esse filho, em linhas inteiras...
E mostrar que ELE está aqui.
Ele cuida de ti durante o teu sono, e passa a mão sobre teus cabelos castanhos abençoando-te a cada pulsar de teu coração.
Mais não pense que por te amar, ELE irá entregar todas as respostas.. As coisas acontecem no tempo dele e não no nosso.
E quando o cansaço pesar sobre teus braços, teus pés e tua cabeça... será ele que irá te regar de amor, de carinho e te carregar no colo.
Ele não perdeu a esperança de te trazer de volta, mas cabe a ti, filho amado, decidir se quer, ou não, voltar.

"As respostas que queremos, muitas vezes estão à nossa frente. Esperando a nossa sensibilidade para conseguir toca-las."
Porque num sopro suave do Senhor, meus ouvidos se abriram e se atentaram...
Por meio dos sonhos, ele me conta tudo...
Por meio dos gestos, ele me mostra os porquês..
Há alguns dias, tentei rabiscar aqui novamente alguns textos... mas hoje senti a tão alucinada vontade de voltar a escrever.
Deixar nas linhas do tempo os meus planos, sonhos e mais ainda as emoções que me aparecem diariamente.
Uma vontade louca de pegar qualquer pedaço de papel e sair rascunhando um trecho novo, um paragrafo que seja.
E em meio à tantas linhas, senti que Deus está mais presente em mim, do que eu imaginava.
E que as obras as quais sou destinada, sempre serão cumpridas desde que eu entregue nas mãos dele, o que for necessário.
As vezes, ele me manda sinais. As vezes não consigo interpretar de primeira...
As vezes, eu preciso amadurecer minhas ideias e abrir meu coração.
Porque quase sempre, ele age em mim, em silêncio.
Seja por meio de sonhos, de pessoas ou palavras...
E quando eu acho que tudo está perdido, vem ELE me mostrando que novamente me enganei quando aos seus primórdios... comprovando sempre, que ELE nunca irá me abandonar...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Não da pra ser normal, se é humano

Eu nunca vou me acostumar com a morte, mesmo quando fala-se em desconhecidos.
Não vai ser normal. Não vai se tornar normal.
E nenhum psicólgo, vai tentar me explicar o que envolve esses conflitos humanos...
Muito menos a frieza e o calculismo.

Nada muda, depois que tantos homens, mulheres, crianças e principalmente inocentes, não ficaram.

Ali, naquele cantinho escuro, naquele cenário de filme de terror... pode ser debaixo da ponte, à beira do rio, do trem, das matas, dentro dos carros ou embaixo dos caminhões. Recordo-me também, de vários capacetes pelo asfalto.

"Ali", morre um futuro.

A desatenção...
O copo de bebida, o último cigarro .
Morre- se, sem querer morrer.
Ali, uma mão amiga. Também a mão que rouba e a que atira.
Um inocente. Um trabalhador. A dona de casa que foi sequestrada.

Morre- se também porque chegou a hora.

Morre, aquele que salva. Aquele que cria... e o que condena também.

E o mais triste, é que hoje em dia, "MORRE-SE DE GRAÇA!"

Alguns pagam com a vida... R$ 5, por R$ 2 ou menos ainda...

Morre-se por ser justo. Ou por lutar pela justiça...
Morre-se pelo destino. Pelo envolvimento ou recusa a ele.
Morre-se pelo ódio .. Pelo desprendimento da alma e desvalorização à vida.
Morre-se inclusive, tentando viver.

Pedaços estilhaçados de vidas, de sonhos.
Cartuchos de balas espalhados pelo chão...
Objetos cortantes, que tiram a alegria.. a alma e o semblante...

E isso não me parece algo normal.

Porque ali, antes de qualquer história, roteiro ou identificação...
Existia uma vida, que só cabe a um homem tirar.

Não que seja menos doloroso quando "ELE" tira.

É apenas.... maais...

... aceitável.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"De volta pra casa"

Eu voltava pra casa no frio da madrugada. Com os copos vazios e o coração cheio de conflitos.
Eu voltava pra casa, voltava pro meu lar. Pra minha "antiga felicidade".
Voltava pro "aconchego de incertezas"... pras dúvidas ao nascer do sol.
Voltava sim, de uma vida monótona.. de um mar de insatisfação para um novo rumo.
Eu voltava a sorrir. Ou será que eu nunca tinha deixado de o fazer?
Mas no meio do caminho, eu pude parar e perceber o quanto de coisas eu tive que mudar...
O quanto de coisas eu aprendi ...
E o quanto as vezes é importante, ignorar.
E eu entendi, que as coisas só começam a acontecer, quando se para de esperar.
Sem perspectiva de acontecimentos, de palavras, de conselhos, de movimentação no interior da alma... Parei de esperar.
E as coisas simplesmente, passaram a acontecer...
E no momento em que eu me aproximava de casa... eu parei por um instante para admirar a estrada.
Foi quando me deparei com um mar de luxúrias alheias.
Um mar de interesses.. de falcatruas.
Um mar de calos, provocados pelas decepções da alma.
Por decepções de quem sempre, espera demais.

Cansada de correr, simplesmente preferi caminhar e acompanhar a beleza dos riachos, dos ladrilhos e dos pássaros cantando ao início da cada manhã...

Mas nada, de mais ninguém.
E acho que essa foi a única forma, de não sofrer decepção.
Não, pelo menos, daquelas que machucam...


E continuando o meu caminho de volta pra casa, senti de novo a briza do vento tocar meu rosto... Senti o tão almejado "friozinha na barriga", as pernas tremendo e o coração pulsando de ansiedade... sem saber o que o resto da estrada irá trazer...

Encontro-me, portanto, com minha outra metade.
A metade de meu ser que sabe ser feliz... e sabe se cuidar muito bem.

Com direito a trilha sonora, roteiro, e telespectadores...
Eu percebi que este novo caminho de volta pra casa, depende só de mim.


(:

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quem escolheu o meu futuro foi mamãe


Na pressão de qual faculdade cursar, pais acabam não ouvindo a opinião dos filhos, traumatizando-os

(Publicado em www.jornalmateriaprima.com.br
Editoria: Crônica)

“ Com a proximidade do final do ano, as maiores universidades do País dão início à maratona de vestibulares. Passado o tormento da escolha da profissão, outra dúvida costuma tirar o sono dos vestibulandos nos dias que antecedem o período de inscrições: qual faculdade cursar?”
(inspiração: www.metodista.br- Publicado em 19 de setembro de 2008)

Por: Meiryellen Formigoni

Mamãe não para de gritar. É absurdo. Eu preciso dormir mas ela nunca vai entender. Vai falar que é preguiça, frescura, menos cansaço.
- Calma aí, manhêêê! Eu já vou...

Mais uma vez, me rendo a rotina de estudos. Época de vestibular é um saco, não tenho vida social, não falo com meus amigos... Festa então? Só posterior às provas. Isto é, se eu passar.

Às vezes acho que meus pais nunca tiveram a minha idade. Aos 18, eu só queria sair com a galera nos finais de semana, tomar uma cervejinha e conversar com a mulherada. Mas, ao contrário disso, o único porre que ando tomando, é o de livros de biologia. Detalhe: isso porque eu nem sei se eu quero realmente ser médico.

- Meu filho, por que você não está lendo? Ainda faltam três horas para você terminar o seu horário de estudos.
- Ahh mãe, eu só quis descansar um pouquinho.
- Quer dizer que quando você estiver formado e tiver que fazer uma cirurgia de oito horas, você vai parar para descansar?
- Mãe, eu só queria...
- Quieto! Pegue suas coisas e vá para escrivaninha estudar.


Putz! Ela nunca vai entender. Eu acho que essa coisa de química, biologia não é comigo. Eu queria mesmo é fazer arte, ser artista de teatro, cinema, novela... mas eles nunca iriam me aceitar desse jeito. Lá vou eu, novamente, estudar átomos e células.

- Mãaae!!!
- Que é menino? Já terminou de estudar?
- É que eu queria te dizer uma coisa: eu não sei se vou gostar de ser médico, ver sangue...
- Shiiiiiiu! Pense no que é melhor para o seu futuro, ninguém fica rico do nada, você tem que se preparar. E essa coisa de gostar ou não, não existe. Com o tempo você se acostuma.

Mais uma tentativa inútil. Isso porque nem falei pra mamãe sobre o show de hoje à noite. As vésperas do vestibular, ela não vai nem pensar pra dizer não. O jeito vai ser mentir.

- Alô, João? Cara, minha mãe ficou surtada por causa do vestibular e não me deixa fazer nada além de estudar. Preciso de uma forcinha sua para ir ao show hoje à noite.
- Claro brother! Eu compro seu convite e na hora que ela pegar no sono, você sai de fininho pela janela do seu quarto. Ela nem vai ver. Eu faço isso direto!
- Ah João, será?
- Confia em, cara, tudo vai dar certo.
- Ai meu Deus, vou mentir pra mamãe. São quase 22h, ela já foi dormir e acha que eu também. É hora de agir.
- Tum!Tum!
- Ufa, ainda bem que cheguei ao chão sem me sujar.
- Vamos lá!
- Ufa de novo, ainda bem que o João já estava a postos pra me “salvar”.


O show não foi lá aquelas coisas, mas pelo menos eu sai da escrivaninha para fazer algo normal. Vi muita gente, matei a saudade dos amigos... enfim, já eram 5h30 e eu já estava entrando em casa. De fininho, fui correndo para o meu quarto, sem ninguém acordar.

- Gram, gram!
- Mamãe??? O que você está fazendo aqui a esta hora?
- Eu é que te pergunto: O que você faz fora da cama, sem minha autoriazação, às 5h30 em véspera de vestibular?
- Ah mãee, eu só queria me diver...
- Cala a boca! Vai dormir. Não quero ouvir mais nem um “piu”. Amanhã você vai acordar às 8h e passar o dia todo estudando, pausando apenas para comer, estamos entendidos?
- Mas mãe, já são quase 5h e eu preciso descansar!
- Pensasse nisso antes. Amanhã te acordo às 8h.


Ai que ódio, que raiva, que sacanagem! Ela nuncaaaaa, nunquinhaaaaaa vai me entender. Que saco! Depois de dormir apenas duas horas e passar o resto da semana estudando feito louco, com a minha mãe me vigiando, é claro, chega o dia da bendita prova.

- Bom dia, seja bem vindo à universidade da rede Siferro. Qual é o número da sua inscrição?
- Inscrição? Ah sim, mamãe passa pra mim o número...
- Então, o número ... é... Mas precisa mesmo moça?
- Claro minha senhora, como quer que seu filho seja matriculado caso passe no vestibular? Preciso do número de inscrição...
- Mamãe, vai me dizer que a senhora se esqueceu de fazer a inscrição?
- Vamos embora agora, essa faculdade tem frescuras demais para o meu gosto. Vamos lá fazer sua inscrição no curso de artes cênicas, meu filho em vez de médico vai ser artista. Pelo menos não precisa de toda essa burocracia.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010


O que o amor?
Pode ser uma flor, um detalhe, um toque ou simplesmente o silêncio.
Para alguns é frescor de primavera, cobertor no inverno, tons particulares pulsantes da alma.
Talvez seja a tradução das carícias, dos abraços e beijinhos. Mas também pode ser transformado
em cumplicidade de olhares.
O amor pode ser uma brisa, um furacão ou simplesmente um pulso agitado dentro do peito.
Mas, sem dúvidas alguma, o primeiro amor que devemos sentir é aquele que grita incansavelmente dentro de nós. Em alguns é sigilo, em outros desprezo da independência.
É uma flor que floresce no jardim da alma. Um espinho que perfura a mais delicada pele dos dedos sem se dar conta do encomodo que causa.
É um passarinho voltando ao seu ninho com comida aos filhotes e uma mãe cedendo a sua parte da sobremesa, só para ver sua princesa sorrir.
É saber ceder, compartilhar, emocionar.
É compreender, aceitar, se doar.

O amor não se resume só em alegrias, muito menos em perfeição eterna.
Mas o amor se consagra nas vitórias do dia a dia, todas as vezes que o outro falha, e você com a maior felicidade do mundo, concede o seu perdão.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A falta de consciência também pode queimar

Só no início de setembro foram registrados mais de três mil focos no Estado, índice elevado e prejudicial à natureza




Por: Meiryellen Formigoni
(Publicado em:
www.jornalmateriaprima.com.br
Editoria: Opinião)



A estiagem que atinge principalmente o Sul do Brasil nos últimos meses vem causando danos gravíssimos à natureza. Todos os dias noticiários demonstram o estrago que o fogo está causando na flora do Brasil. Manchetes demonstram a preocupação da sociedade perante o descaso do homem inconsciente e as divergências climáticas.


O vento forte e o clima seco dessa época do ano pioram ainda mais os focos de incêndio, que tomam força e causam grandes desastres ambientais. Segundo informação do jornal O Diário do Norte do Paraná, publicado no dia 14 de setembro, de 1° de agosto a 13 de setembro, foram registrados 158 ocorrências de focos de incêndio em Maringá. No Estado, já passam de 3.200 casos. Índice alto e que deveria servir como alerta à população, para que tenha mais cuidado ao “brincar com fogo”.

Além dos danos causados pelas queimadas, a fumaça produzida pelo fogo também é prejudicial ao ser humano, provocando doenças respiratórias e crises alérgicas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% da população mundial sofre de alergias enquanto no país o índice é 5% maior. Se os dados são consideráveis em épocas ‘normais’, deve - se repensar o quanto esse índice aumenta e a maneira como as pessoas, que têm crises alérgicas e respiratórias, sofrem quando as queimadas começam e a “fumaça sobe”.

Conscientização nesse momento é o essencial. Em vez de pôr fogo “naquele mato”, o indivíduo poderia plantar uma árvore, ajudando a diminuir a extinção de algumas espécies.

Jogar bitucas de cigarro à beira das rodovias. Ato comum, insano e impensado que pode acender uma chama, destruir a mata presente no local e ainda causar graves acidentes causados pela fumaça e invisibilidade da pista, bem como animais que tentam fugir do fogo e acabam provocando acidentes ainda mais graves. Resultado dessa insanidade: mortes. Sejam vidas humanas postas ao risco, sejam animais ou a própria natureza, todo mundo sai perdendo e mesmo assim alguns demoram a se dar conta.

Há muito mais a se fazer do que simplesmente destruir. O problema inicial desta questão é analisar que sendo um incêndio, proposital ou não, vidas estão se perdendo, pessoas estão sendo prejudicadas desenvolvendo doenças que também podem levar à morte. Enquanto isso, o que ainda se percebe é a existência de alguns “bonecos bobos” insistindo em ver o “matinho queimar” ou o fim do cigarro “voar pela janela”. E nesse atraso cultural, as calamidades se multiplicam a ponto de sempre se procurar um culpado e nunca encontrá-lo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

E começa e jogo...

São só duas semanas.
Benditos 14 dias que atormetam minha vida, modificam minha estrutura e balançam meu humor.
Causam insônia, corpo cansado, tensão, vida social esquecida.
De 60 em 60 dias, tudo fica caótico.
O seu humor não faz nada além de me magoar.
O meu humor não faz nada além de não existir.
E o meu sorriso? Bem, este eu esqueço na gaveta todas as vezes que o telefone toca.

É principalmente durante esses 14 dias, que tudo acontece, que a situação se complica, duplica, multiplica.

Nem sempre eu saberei dissertar sobre as perguntas que fizerem...
Pouco provável que eu consiga me adaptar as gráficas e grafias da editoração...
e menos ainda, que eu sobreviva com a 'captura de momentos'.
Acho complicado compreender todos os "ia" seja na filo, na socio ou na psico.

O que me prende de verdade, é a exatidão, a força.
A coragem de demonstrar o mundo por meio das telas, da voz, dos pensamentos.
Mas penso o quão arduo é a caminhada até chegar "lá".

São duas semanas a cada sessenta dias, que são responsáveis por tudo que possa ficar 'a flor da pele'. A ponto de explodir, pirracear e chegar ao limite.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

EDITORIA: CRÔNICA - JORNAL MATÉRIA PRIMA (ACADÊMICA: MEIRYELLEN FORMIGONI)

(Publicado também em www.jornalmateriaprima.com.br)
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O barato que acabou saindo caro demais

Na ilusão de realizar o sonho, estudante de direito acaba sendo enganado pela empresa Fodevoc na cidade de Marocaste


Imagem/Camila Munhoz
"Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o número de pessoas que foram deportadas ou tiveram negada a entrada em outros países quase dobrou de 2005 a 2006, chegando a 13,5 mil pessoas, e manteve a mesma tendência nos anos seguintes."
G1.globo.com – Publicado em 3 de agosto de 2009

Meiryellen Formigoni
Uma tempestade pairava sobre a cidade de Marocaste. Era sábado e junto com a chuva que debulhava do céu, uma nuvem de dúvidas atingiu minha cabeça. Eu queria muito conhecer o exterior, mas como na vida de todo acadêmico, a grana era curta e a faculdade de direito me tomava a maior parte do tempo. Adormeci.

Depois do longo final de semana chuvoso, chega segunda-feira. Levantei-me apressado para não perder a aula, nem a prova do professor Trovajão. Como se não bastasse o meu jeito atrapalhado e desatento, correndo, escorreguei em umas folhas de papel que estavam no chão. Fiquei todo sujo de lama e com vontade de xingar até as pedras. Entrei em casa para trocar de roupa e ir à aula.

Voltando à entrada de casa, percebi que vários exemplares do mesmo folheto (que foi responsável pelo tombo), estavam espalhados por toda a quadra. Peguei um e li.

- A Fodevoc está oferecendo passagens aéreas para os Estados Unidos por menos da metade do preço. Venha conferir.

Apressado, fui até a tal empresa, que tinha nome esquisito, mas iria me satisfazer.

- Ô moço, me vê aí uma passagem pros Estates!

Aahh aquela passagem! Nunca me senti tão feliz. Corri pra casa, arrumei as malas. O avião ia partir às 18h. Esqueci-me até da prova do Trovajão.

- Ô grandalhão, onde eu embarco?
- O avião está esperando em outro lugar. Vamos, suba para o ônibus.


Peguei as malas e nem pensei. Quando acordei me deparei com a pior cena da minha vida: Fronteira do México.

- Mas, como assim? Grandalhão, eu paguei pra ir pros Estados Unidos, não pro México! De ônibus!
- Cala a boca, senão te mato! Entra logo nessa porcaria de fronteira e corre, porque se você for pego, os caras te matam lá na frente. Vamos! Não queria conhecer os Estados Unidos? Agora você vai fazer um tour primeiro pelo “inferno”.


Pasmado e sem rumo, com aquela arma destrambelhada na minha nuca, saí correndo do ônibus. Eu ouvia os tiros, mas nem olhava para trás. Atravessei o rio mais rápido que um golfinho.

- Ufa, cheguei.

Depois de atravessar a correnteza, consegui me acomodar bem do outro lado da margem do rio, sem que ninguém me apanhasse. Mesmo estando longe da minha viagem dos sonhos, ainda matutava uma maneira de conseguir conhecer os Estados Unidos.

- Tum! Tum! Paah! (...) Foram dois socaços e a queda inevitável.

Quando eu acordei, na manhã seguinte, estava na cadeia de Washington, sendo acusado de contrabando e travessia ilegal. Os caras da cadeia me olhavam torto e o sufoco que passei para não apanhar lá dentro foi demais.

- Ei! Venha que o delegado quer te ouvir. Senta aí, que ele já vem.

Passados alguns minutos o delegado entra:

- Professor Trovajão? O que você tá fazendo aqui?

Super assustado, o Trovajão não conseguia nem responder. Ele vivia viajando, até aí tudo bem. Mas o que eu não sabia é que ele tinha outro emprego, fora da instituição (o que era proibido). Ele pediu para que os guardas saíssem da sala.

- Você tá liberado, moleque. Mais ai de você se essa história sair daqui.
- Mas, professor Trovajão, o que eu ganho com isso?


Pois é, não conheci os Estados Unidos como eu queria, mas mesmo sem dinheiro no bolso, voltei pra casa de graça, na classe A do avião, virei cúmplice do professor mais temido da universidade e ,de quebra, tirei 10 durante todas as provas do ano.